O Programa Fortalezas de Fronteira pretende promover a valorização e a divulgação do vasto conjunto de fortificações existentes em Portugal, em particular na linha de fronteira com Espanha. São objetivos deste programa estruturar a oferta de forma integrada, contribuindo para o reforço da atratividade das regiões do interior como destinos turísticos qualificados e inovadores, com vista a captar mais visitantes e aumentar o tempo médio de estada dos turistas nos territórios do interior, através da valorização e dinamização de um património diferenciador.
Para tal, o Turismo de Portugal conta com a colaboração das Entidades Regionais de Turismo na dinamização desta rede de oferta, em estreita articulação com os municípios onde se localizam as fortalezas.
O ponto de partida, e primeira fase do Programa (2020), foram as 62 fortalezas de fronteira, de Castro Marim a Caminha, desenhadas e representadas por Duarte de Armas, escudeiro do rei D. Manuel I. Neste trabalho, posteriormente designado por Livro das Fortalezas, Duarte de Armas contemplou, também, representações de fortificações vizinhas, com as quais a fortaleza desenhada poderia articular em sistemas defensivos ou ofensivos, como ocorre com as fortificações de Beja, Veiros, Alegrete, Idanha-a-Velha, Guarda e Algoso. No índice que compôs, foram incluídas páginas específicas para desenhar outras fortalezas, como Portalegre e Marvão, razão pela qual todas elas são abrangidas pelo Programa.
Atenta a sua relevância, o número evoluiu, contemplando a lista, atualmente, 78 Fortalezas, passando a incluir fortificações próximas da raia que contribuíram para a definição da fronteira luso-espanhola.
Quando as novas fronteiras se foram delineando, as preocupações defensivas intensificaram-se e as funções estratégicas das fortificações medievais portuguesas ganharam renovada importância. Os castelos, que se estendiam de um lado e do outro da fronteira, integravam um dispositivo de defesa da raia, constituindo verdadeiros bastiões do controlo do território entre Portugal e Castela. Este intuito eminentemente defensivo das fortalezas medievais refletia-se na estreita articulação entre os castelos da mesma região, não só para auxílio mútuo, mas também como condição essencial para um controlo mais eficaz dos territórios.
Presentes de norte a sul do país, as fortalezas de fronteira são testemunhos vivos da formação dos limites fronteiriços no medievo ibérico, decorrentes da Reconquista e dos confrontos pela partilha dos territórios peninsulares. Paulatinamente, as fronteiras físicas do reino e da nação foram tomando forma. Após a conquista do Algarve, e o reconhecimento por Castela da posse portuguesa deste território através do Tratado de Badajoz (1267), tornou-se imperiosa a delimitação da fronteira a leste, conseguida com a conquista dos castelos de Ribacoa, e estabelecida definitivamente com o Tratado de Alcanizes (1297) e que assim perdurou até aos nossos dias.
Lugares únicos de história e cultura, as Fortalezas de Fronteira contam também as estórias das comunidades e territórios raianos. Outrora espaços de defesa, são hoje portas de entrada para o conhecimento, fruição e diálogo transfronteiriço.